Diferença entre fenômeno físico e fenômeno químico para alunos com deficiência visual

Flávio Rosa, Morgana Guimarães, Luana Araújo e Cristiana Passinato *Equipe Química Acessível”

Temos do senso comum diferentes narrativas do que viria a ser um “fenômeno”. Por exemplo, utiliza-se o termo “fenômeno” para se referir a um fato ou um evento sem explicação ou de causas sobrenaturais e até mesmo para se referir a artistas que alcançaram sucesso repentino. O fato é que nossos alunos chegam à escola com algumas ideias já formadas sobre este assunto.

O papel do professor é promover uma ruptura de suas concepções derivadas do senso comum para a construção do saber científico. A mediação realizada pelo educador é fundamental nesse processo, instrumentalizando o aluno para que este possa ter uma representação e compreensão dos fenômenos baseado no senso crítico. Compreender o que definimos como fenômeno (químico ou físico) pode ajudar nossos alunos a compreender a ciência e a sua ação sobre a natureza.

A análise mediada dos fenômenos pode ocorrer através dos nossos sentidos ou através de instrumentos de medida que potencializam a apreensão por meio dos sentidos. 

Tradicionalmente, conceituamos fenômeno físico como aquele que não altera a natureza da matéria como o ocorrido, por exemplo, no ciclo da água. Este é um bom exemplo de fenômeno físico, uma vez que a água passa pelos estados sólido, líquido e gasoso, não alterando sua estrutura molecular.

Já o fenômeno químico comumente é conceituado como aquele que promove uma alteração a nível molecular e que pode ser percebido macroscopicamente por alterações como: mudança de cor, liberação de gases e variação na temperatura do sistema. Este pode ser exemplificado pelas alterações ocorridas pelos alimentos quando são cozidos.

Devemos ter em mente que estes fenômenos não ocorrem, na natureza, de maneira isolada e estanque.

Recursos pedagógicos

O professor deverá investigar qual a extensão e o histórico da deficiência visual do aluno com a finalidade de conhecer suas experiências empíricas e para auxiliar na escolha de um método adequado de ensino.

Explorar os demais sentidos é tarefa fundamental na mediação de um aluno com deficiência visual. Comunicar conceitos de forma clara e simples sem perder o rigor, estimular o tato, por exemplo, na realização de experimentos onde se possa perceber através do toque uma variação na temperatura do sistema ou fazer com que o aluno toque um metal antes e depois de sofrer o processo de corrosão. Essas alternativas poderão  beneficiar aos alunos com deficiência e aos demais.

Apesar de a comunicação verbal e o tato serem importantes  meios de aprendizagem e comunicação da pessoa com deficiência visual, o uso de outros sentidos, como o olfato e o paladar, também são uma alternativa de transmissão  do conteúdo como por exemplo, no uso de jogos, músicas, dinâmicas, uso de assistência digital, tecnologias e outras ferramentas que estejam a disposição do professor.

O emprego de situações do dia a dia poderão servir de recursos que auxiliem ao aluno a diferenciar fenômenos físicos e químicos, como por exemplo:

  • Perceber como o cheiro de um perfume se difundiu após ser “borrifado” em um ponto da sala;
  • Utilizar alimentos que mudem de cheiro e/ou gosto após uma alteração em suas propriedades, como um cozimento ou uma degradação. Peça que ele prove um banana crua e uma cozida, faça ele perceber a diferença de sabor, a mudança das propriedades. O mesmo vale para o uso do olfato em um ovo bom e um estragado.

Referências

LOPES, A.R.C. A concepção de fenômeno no ensino de química brasileiro através dos livros didáticos. Química Nova. São Paulo, v. 17, n. 4, p. 338-341, jul. 1994. Disponível em: Vol17No4_338_v17_n4_(14).pdf (sbq.org.br). Acesso em: 28 mai. 2021.

RIBEIRO CASIMIRO LOPES, Alice. Reações Químicas: fenômeno, transformação e representação. Química Nova na Escola, São Paulo, v. 2, p. 7-9, 2 Novembro 1995. Disponível em: http://webeduc.mec.gov.br/portaldoprofessor/quimica/sbq/QNEsc02/conceito.pdf. Acesso em: 28 mai. 2021.

BACHELARD, Gaston. Conhecimento comum e conhecimento científico. In: Tempo Brasileiro. São Paulo, n. 28, p. 47-56, jan-mar 1972. Disponível em: http://www.epistemologia.ufrj.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3:conhecimento-comum-e-conhecimento-cientifico. Acesso em: 28 mai. 2021.

RISSINO, Jonathan Miranda. GONZALEZ, Luciana Pereira. Estratégias metodológicas para a inclusão de alunos deficientes visuais no Ensino de Física. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 11, Vol. 10, pp. 103-117. Novembro de 2020. ISSN: 2448-0959, Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/alunos-deficientes-visuais, Acesso em: 29 mai. 2021.

PAIVA, Thaís. Como incluir deficientes visuais nas aulas de física. Carta Capital. São Paulo, 2013. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/educacao/fisica-inclusiva/. Acesso em: 25 mai. 2021.

Orientações para atuação pedagógica junto a alunos com deficiência visual. Texto publicado no livro: SILVA, Luzia Guacira dos Santos. Orientações para atuação pedagógica junto a alunos com deficiência: intelectual, auditiva, visual, física. Natal: WP Editora, 2010. Link de acesso: http://orientacoes_atuacao_pedagogica_junto_alunos_deficiencia_visual_luzia_guacira.pdf. Acesso em: 28 mai. 2021.

Um comentário em “Diferença entre fenômeno físico e fenômeno químico para alunos com deficiência visual”

  1. Republicou isso em Pesquisas de Químicae comentado:
    Nova postagem do blog “Química Acessível” com novo design, revisado e nova equipe. Leia o artigo de divulgação científica revisado e coordenado pela professora Cristiana Passinato e produzido pela nova equipe do projeto. Os autores de tema da semana são o Flávio Rosa, Morgana Guimarães, Luana Araújo e Cristiana Passinato. Tudo acessível com sugestões inclusivas para sala de aula. Confiram!

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