Falando um pouco de obstáculos epistemológicos de Bachelard

Como foi discutido no grupo do facebook de professores, a postagem anterior trouxe uma áudio-descrição de uma figura simples, porém a omissão de deteminados elementos da imagem proposta comprometeram a compreensão do do  símbolo do átomo de Bário proposto por Dalton minuciosamente desenhou da forma apresentada no trabalho completo apresentado no último ENEQ.

Tal fato poderá causar problemas na compreensão dos alunos cegos, ou mesmo obstaculizar o conhecimento deles. E por conta disso, estamos propondo uma breve discussão sobre os obstáculos epistemológicos de Bachelard.

Em 1938, Gaston Bachelard, um epistemólogo francês discutiu em seu livro “A formação do espírito científico”  a noção de obstáculos epistemológicos à formação do conhecimento. Que é definido da seguinte forma:

E aí mostraremos causas da estagnação e até de regressão, detectaremos causas da inércia às quais daremos o nome de obstáculos epistemológicos. (BACHELARD, 1996)

Os tipos de obstáculos principais estudados por ele são:

  • Experiência primeira;
  • Conhecimento geral;
  • Verbal;
  • Conhecimento unitário e pragmático;
  • Substancialista;
  • Realismo e
  • Animista.

Os principais obstáculos epistemológicos de Bachelard encontrados nos livros didáticos são de natureza realista e verbalista, segundo Lopes (2007). E isso não muda muito no caso do que foi analisado nessa pesquisa.

Que vêm a ser definidos em linhas gerais como:

  • Obstáculo realista: obstáculos advindos do pensamento mais ligado ao concreto, às dimensões do cotidiano, as dificuldades de abstração. (LOPES, 1992)
  • Obstáculo verbal: é o obstáculo criado por analogias pobres, substituição de conceitos por imagens, paralelos mal estabelecidos com exemplos ligados a uma imagem reduzindo a teoria aquela metáfora. (LOPES 1993)

Destaca-se que o objetivo dos professores são de contornar ou destruir esses obstáculos, usando dos mais diversos recursos para que eles não aconteçam, o que não quer dizer que a formação do conhecimento do aluno ao destruir um obstáculo, não encontre outros. Conhecimento está sempre em constante dialética com um conhecimento prévio. A negação ou o erro são valorizados por Bachelard para que o aluno supere as seduções do conhecimento comum e atinjam cada vez mais conhecimento cientifico, o que define como “espírito científico” maduro, mais abstrato.

Contudo Lopes (1996) destaca que: ” a epistemologia bachelardiana é muito mais rica do que somente classificar a natureza dos diversos obstáculos epistemológicos encontrados nos livros didáticos de  …”.

Para saber mais sobre esse assunto, leia:

Referências Bibliográficas

BACHELARD, G. A formação do espírito científico. Contraponto, Rio de Janeiro, 1996.

BROUSSEAU, G. Epistemological obstacles, problems, and didactical engineering. Em Balacheff, N.; Cooper, M.; Sutherland, R.; Warfield, V. (Ed. e Trad.), Theory of Didactical Situations in Mathematics (pp. 79-116). New York: Kluwer Academic Publishers. 2002.

GALLI, L. M. G.; MEINARDI, E. N. The Role of Teleological Thinking in Learning the Darwinian Model of Evolution. Evolution: Education and Outreach, v. 4, p.145–152, 2011.

LABATI-TERRA, L.; LARENTIS, A. L.; ATELLA, G. C.; CALDAS, L. A.; RIBEIRO, G. L.; HERBST, M. H.; ALMEIDA, R. V. Identificação de obstáculos epistemológicos em um artigo de divulgação científica – entraves na formação de professores de ciências? Revista Eletrônica de Enseñanza de las Ciências, Vol. 13, nº 3, 318-333, 2014.

LARENTIS, A.L.; RIBEIRO, M.G.L.; PAIVA, L.M.C.; CALDAS, L.A.; HERBST, M.H.; MOURA, M.V.H.; DOMONT, G.B.; ALMEIDA, R.V. Obstáculos epistemológicos entre pós-graduandos de bioquímica. Ciências & Cognição, n. 17, p. 76-97, 2012.

LEITE, V. M.; SILVEIRA, H. E. da; DIAS, S. S. Obstáculos epistemológicos em livros didáticos: um estudo das imagens de átomos. Candombá. Revista Virtual, v. 2, n. 2, p. 72-79. Salvador, jul/dez 2006.

LOPES, A. R. C. Livros didáticos: obstáculos ao aprendizado da ciência Química – obstáculos animistas e realistas. Química Nova, São Paulo, v. 15, n. 3, p. 254-261, 1992.

______. Livros didáticos: obstáculos verbalistas e substancialistas ao aprendizado da ciência química. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, v. 74, n. 177, p. 309- 334. Brasília, maio/agosto, 1993a.

______. Contribuições de Gaston Bachelard ao ensino de ciências. Enseñanza de lãs ciências. Barcelona, Universidade Autônoma de Barcelona, v. 11, n. 3, 324-330, 1993b.

______. Bachelard: o filósofo da desilusão. Caderno Catarinense de Ensino em Física. Florianópolis: v. 13, n. 3, p. 248-273, dez. 1996.

______. Currículo e epistemologia. Ijuí, RS: UNIJUÍ, 2007.

MELZER, M. E. E.; CASTRO, L. de, AIRES, J. A.; GUIMARÃES, O. M. Modelos Atômicos nos Livros Didáticos de Química: Obstáculos à aprendizagem? Encontro Nacional de Pesquisadores em Educação em Ciências, 7, 2009, Florianópolis. REIS, M. Química. Ática, São Paulo, 2014.

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