Analisando uma áudio-descrição: 1ª problematização

14192595_219769968426403_7650744772079762188_nProponho um exercício para que possamos começar a nos colocar no lugar dos cegos e sentir a possível dificuldade ao se depararem com determinados tipos de roteiros de áudio-descrição. Esse é um áudio é editado de uma fala sintetizada padrão do tocador MECDAISY, versão 1.0, fornecido pela página do projeto INTERVOX  – NCE – UFRJ, coordenado pelo professor Antonio Borges (criador da plataforma DOSVOX).

A representação do átomo de Dalton, um modelo realista, nada tem a ver com o idealizado pelos antigos, que não possuíam a mesma tecnologia e viviam em uma época, que para Bachelard era classificada como realismo ingênuo, onde se explorava a observação da Natureza usando o pensamento, a geometria e a lógica (da época). Envolviam-se também, nesse tempo, questões religiosas e místicas.

Dalton viveu a realidade da ciência imersa em um realismo mais empírico, onde já se detinha na ciência fenometécnica e eram possíveis as observações e obtenção de dados experimentais. O campo das leis da Física que regiam o átomo Daltoniano respeitavam as leis de Newton. Dalton dentre outros cientistas estudavam gases, já citava a teoria do “calorífico” como uma espécie de “envelope” de calor entre os átomos que constuíam moléculas. A natureza dos átomos e elementos (já sendo organizados em tabelas de símbolos desenhados pelo próprio Dalton), o universo e conhecimento do atomista em questão era bem diferente do de Heráclito, Éfeso e Demócrito, na antiguidade. Portanto, a tão famosa “bola de bilhar” (esfera maciça), analogia vulgarizada e utilizada em demasia por livros textos causa uma confusão e possível obstáculo verbal para a formação do conhecimento do aluno. (VICENT, 1992)

Além de toda essa questão histórica de abordagem dos livros didáticos, ainda quando é lido um dos roteiros da áudio-descrição de um dos símbolos (o do átomo de Bário) dos vários enumerados na ilustração inicial do tópico “Modelo atômico de Dalton”, enfrentam-se algumas dificuldades. Esses símbolos representam os originais. Essas figuras foram classificadas como de cunho histórico e que têm importância e coerência com o texto do capítulo 7, volume 1, coleção “Química”, livro de autoria da professora Martha Reis, Editora Ática e distribuído nacionalmente pela Rede Pública no triênio de 2014-2017, em formato MECDAISY.

Ouça e confira:

Após ouvir o áudio, imagine o que ouviu desenhando mentalmente a ilustração e responda à enquete com propostas possíveis de representações do que foi narrado:

Depois da sua resposta, acesse o trabalho produzido e apresentado no último ENEQ (Encontro Nacional de Ensino de Química) em SC, Florianópolis, na UFSC, ano passado (2016) e descubra a resposta ao que foi perguntado e venha debater no grupo do facebook de professores sobre o que pensou e dividir sua opinião sobre a descrição apresentada:

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Baixe o arquivo completo em pdf, clicando aqui!

Referência bibliográfica:

  • VICENT, B. B.; STENGERS, I. História da Química. Instituto Piaget. Lisboa: 1992. 402 p.

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8 thoughts on “Analisando uma áudio-descrição: 1ª problematização”

    1. Oi Carmelita, esse foi um caso. Imagina com uma representação mais complexa? Mas o recurso da audiodescrição muito rico, sim, em diversos outros casos, mas para material didático e imagens estáticas realmente não tem muita gente, inclusive na área da química se dedicando. Além disso existe toda a coisa das limitações do MECDAISY 1.0, que devia ser o 3.0, e querem passar pra epub o PNLD pra verem se resolve o problema. O problema vai continuar, pois o cuidado com a parte gráfica e as decodificações de determinados símbolos, gráficos e fórmulas continuarão. O que tem, também, é melhorar significativamente a qualidade dos roteiros das imagens. Fiz alguns cursos e seminários na área de audiodescrição e o que se faz nos livros didáticos passa bem longe do que qualitativamente se denomina AD. Não vamos generalizar e vamos analisar pra melhorar. Todo recurso é válido pro aluno com DV, só que precisamos avaliar se usamos só esse por o aluno se bastar ali ou se utilizamos o tato, olfato e tudo mais. Quando possível, pela teoria de compensação do Vygotski, precisamos oferecer o máximo de sentidos para que ele possa escolher o caminho compensatório a ser seguido e isso é intuitivo muitas vezes. Tudo depende muito do aluno e precisamos pesquisar tudo que for possível para sua compreensão. E como fazer isso de modo inclusivo? Usando de novo o que Vygotski preconiza: a interação social. Obrigada por sua participação, Carmelita. Venha também para o grupo do facebook. A discussão lá está bastante rica. Abraços.

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  1. Sua área de pesquisa é muito interessante, de relevância inestimável.
    Muito interessante a forma como vc nos conduziu à problemática. Que bom que existem as ADs! E esses apontamentos decorrentes dessas análises certamente irão contribuir para a melhoria desse recurso tão importante. Parabéns pelo trabalho!

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  2. Achou que a AD é muito válida no ensino de deficientes visuais, mas no exercício proposto houve omissão de detalhes importantes para que o aluno pudesse formar uma imagem satisfatória e definitiva do objeto de estudo.

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    1. Exato, Renata, você pegou exatamente o que estamos avaliando. Acompanhe, pois discutiremos epistemologicamente de acordo com o olhar bachelardiano o que pode ocorrer de obstáculos frente a tais omissões e até erros de narração. Muito obrigada pela participação e comentário. Bjs

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